Eu já tinha comentando que iria trazer algumas novidades aqui no site certo?  Pois é, minhas últimas semanas fui conhecendo artistas incríveis, eu e minha dog chamada Belinha – ela escuta todas as músicas comigo e dançamos juntas rs -. Bom, hoje a minha convidada é uma cantora que traz força na sua voz  e ao mesmo determinação, sabe aquela musica que te faz pensar?

Um dos destaques da nova cena musical manauara, Olívia de Amores se prepara para lançar seu primeiro álbum e antecipa o projeto com “La Cancionera”, seu novo clipe e single, já disponível nas plataformas de streaming. A canção explora as raízes latinas da cultura amazônica e teve seu vídeo gravado durante um passeio de barco regional pelo Rio Negro. Vem conhecer mais sobre a cantora comigo.

Olívia de Amores por Bruno Belchior .

Olívia de Amores é uma honra ter você aqui no site. Conta para os leitores o que significa a música para você? 

La Cancionera é uma música muito especial porque nela eu empreguei duas influências musicais importantes: uma, mais consciente, que é o rock; outra, mais indireta, que é o brega. Isso porque, embora o rock fosse o gênero que eu buscava, o brega sempre esteve ali na minha casa, na minha vizinha, no bar do bairro.

Queria que você falasse da ideia de fazer o novo clipe explorando as raízes latinas da cultura do Amazonas. Por quê? 

Eu quis expressar nesse clipe e na música a latinidade do Amazonas e do Norte, ou seja, a latinidade para além da brasilidade. Depois de refletir muito sobre nossas origens e tradições, percebo que o fato de a cultura amazonense ser essencialmente indígena traz influências diretas de outros países como Venezuela, Bolívia, Colômbia, Peru. Essa conexão acontece porque as nações indígenas se estendem além das fronteiras do Brasil. Então La Cancionera evidencia esse quê latino da Amazônia e do Amazonas.

Você deu para gente um gostinho do novo álbum com os single “La Cancionera”, como foi o processo de composição? O que você quer passar de mensagem nessa canção?

O processo de composição foi simples. Eu mirei no simples. Queria falar sobre uma dor amorosa de uma forma aberta e sem rodeios, como as cantoras do brega e do forró. Algo meio Chico Buarque em “Atrás da Porta”, mas mais coloquial. Então, basicamente, eu chorei as angústias escancaradamente no brega e emprestei o rock pros picos de raiva.

Primeiro álbum está para chegar, poderia contar pra gente o que podemos esperar?

Pra “Não é Doce”, pode-se esperar uma apresentação minha enquanto artista, porque há composições muito antigas e também muito recentes, além de um ecletismo em gêneros. Pode-se esperar um álbum intenso, variado em temas, linguagens e emoções.

Vendo de uma forma geral sobre o novo álbum. Qual é mensagem principal dele?

O tema do álbum é uma explicação para meu nome artístico. Senti a necessidade explicar que os Amores a que me refiro são vários e que não é doce o que se tem pra falar. Eu quis introduzir perspectivas não românticas desse sentimento. La Cancionera fala de um amor amargo em uma linguagem, de certa forma, tradicional. Já em Sankyu falo em como o amor machuca no luto, em Mana falo do amor ao próximo e por uma amiga que sofreu de depressão, Abisso fala de alguém cruel que não sabe amar. Ou seja, a mensagem é que é preciso viver e reconhecer amores em outros setores que não os conjugais.

Como foi o processo de composição e de gravação do novo disco?

A composição e gravação do disco foram terapêuticas. Eu vinha de uma fase de perdas absurdas e isso me aproximou da música, porque ela me explica, me compreende desde adolescente. Em “Não é Doce”, eu dediquei inspiração e transpiração: inspiração é que impulsiona a composição, transpiração foi o tanto que estudei outros instrumentos pra conseguir me expressar com qualidade técnica não só na guitarra (meu instrumento original), como no baixo, bateria, percussão. Quando dei por mim, eu tava ali, ocupando meu tempo com algo que amava, me tornando uma musicista melhor e abrindo o peito sobre meus lutos. Foi lindo.

Queremos saber o que atualmente você está ouvindo na sua playlist?

Recentemente, tenho ouvido uns álbuns: o Meliora (Ghost), Vocação (Lupe de Lupe), MAGDALENE (FKA Twigs); uns trabalhos do John Frusciante que ainda não tinha ouvido.

O que você indicaria para os leitores não deixar de ouvir, qual outro artista que você indicaria para os leitores?

Ouçam música do Amazonas! Anônimos Alhures (minha antiga banda), Alderia, Renata Martins, Victor Xamã, Ian Lekter, Anne Jezini, Karen Francis, Mezatrio, Boomerang Blues, Kely Guimarães, Elisa Maia, Luneta Mágica, República Popular, Supercolisor, Marcelo Nakamura,  Dan Stump, Chapéu de Palha, Gramophone, Saturno. E em breve, lançamentos INCRÍVEIS: PRESTES, João Hime e Bia Ventureli, esses dois últimos com produções minhas.

Entrevista chegando ao fim. Quando irá lança o novo álbum? Teremos mais clipes?

Acho que pelos próximos dois anos vou curtir o “Não é Doce”. Ele demandou muito, preciso deixar tudo se aquietar antes de algo novo. Quanto a clipes, depois de Cancionera, lancei essa semana Só Vamo. Agora é esperar o álbum, que vem com um curta-metragem.

Qual mensagem você deixa para os leitores musicas e seus fãs?

A mensagem é uma só: valorizem o artista brasileiro, principalmente o do Norte. A situação é crítica pra qualquer artista, mas para o nortista ainda existem questões de exclusão que nunca foram combatidas, nem mesmo dentro da música. Não se discute isso nem dentro do meio alternativo mais inclusivo, como no cenário das bandas nordestinas. Só o público pode mudar isso.

Gostaram? A entrevista com a cantora foi uma das mais especiais que fiz, ela tem uma energia musicalmente falando insana e uma luz contagiante e agradeço muito por compartilhar seu trabalho/talento com todos nos.

Aumenta o som e seja feliz agora mesmo:




 

FIQUEM
LIGADOS QUE EM BREVE TEM MAIS MÚSICA AQUI HEIN, TE ESPERO! ABRAÇO GRANDE,
@MAAHMUSIC

 

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