segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM CORAÇÃO NOIR.


Hey, leitores musicais.
Tudo bem com vocês?
Essa semana estávamos com visitas internacional aqui no site. No ano de 2014 nasce em Lisboa o projeto Coração Noir, com a reunião de Pandora (voz), Bruno Vicente (guitarras), Jaime Oliveira (piano e teclados), Vasco Corisco (baixo) e Pedro Marques (bateria).
O primeiro single chama-se “Coração Noir”, e atualmente a banda encontram-se em fase de gravações para o primeiro registo de longa duração, exclusivamente composto de temas originais, que irá ser lançado em 2016.

E claro que conversamos com a banda sobre o novo lançamento e as próximas novidades sobre. Confira:



. Fico muito feliz em receber aqui no site a banda Coração Noir. Vocês são uma banda totalmente diferente do que estamos acostumados a ouvir.  Como vocês se conheceram? Já tiveram outros trabalhos com bandas ou solo?
Obrigado Maah Music, o prazer é todo nosso! Todos nós já participámos em outras bandas, com mais ou menos projecção. O nosso denominador comum é o Jaime (o pianista) que nos conhecia a todos. Quando o Pedro (o baterista) fundou os Coração Noir, foi o Jaime quem “recrutou”os restantes elementos - menos o Bruno, que já tocava com o Pedro.

. Como foi o processo de gravação da canção “Coração Noir”?
Olha, correu muito bem! Temos a sorte de ter acesso a um estúdio profissional de gravação onde podemos estar a qualquer hora do dia ou da noite, o que facilita muito o processo técnico e criativo. Durante a gravação ocorreu, por vezes, encontrarmos e experimentarmos caminhos diferentes do que estava previsto incialmente. No final, acabámos por ter a canção num nível de arranjos e produção que até superou as nossas expectativas.

. E o clipe, quem teve a ideia e como foi os bastidores no clipe?
Foi o Vasco quem vislumbrou a ideia, quando um dia passou junto ao local onde foi rodado. É um edifício art deco lindíssimo, de 1912, que infelizmente está abandonado, mas essa qualidade fantasmagórica tornou-o no cenário perfeito para o ambiente da música - um ambiente romântico, nostálgico e misterioso ao mesmo tempo. Depois de umas pesquisas, pedimos autorização aos proprietários para usar o local para as filmagens (e ainda bem que o fizemos, senão teríamos que andar a fugir dos cães que guardam a casa… ). Tivemos a colaborar connosco um grande profissional da imagem, o Luís Nogueira, que realizou o videoclip. O resultado final tem muito da mão dele e de toda a equipa que colaborou connosco.

. Quais as principais influências da banda atualmente?  Vocês têm gostos diferentes?
Há pouco mencionaste que temos um som diferente do habitual. Bem, pode ser que isso se deva ao facto de bebermos de muitas fontes distintas. Desde sons baladeiros ‘noir’ do Nick Cave ou do Leonard Cohen, até aos sons do rock com guitarras mais fortes, como por exemplo os americanos The Strokes. Uma referência obrigatória na nossa música é a forte influência da pop electrónica e do rock da década de 1980,  uma faceta dos CN que o público ainda não conhece bem, pois não está muito presente no primeiro single.

. Vocês são de Portugal. Queremos saber como anda o cenário musical do rock aí na cidade?
O cenário rock na cidade de Lisboa, e por todo o Portugal, recomenda-se! Há bastantes projectos com muita qualidade e assiste-se a muita fusão de estilos e revivalismos. Infelizmente, devido à grande crise do mercado discográfico, é cada vez mais difícil conseguir editar, ainda que se tenha muita qualidade. Vão-nos valendo as redes sociais, que são hoje o principal canal de divulgação da boa música (Maah Music incluído…). Nós tivemos a sorte de termos sido acolhidos pela Farol Música, a quem estamos muito gratos e com quem temos adorado trabalhar, mas muitos projectos merecedores de atenção acabam por ficar na gaveta.

. Existe espaço para todos os gêneros musicais ou vocês acham que ainda tem muito preconceito com determinados ritmos?
Bem, como já disse, o cenário musical é muito variado. Mas o principal preconceito que vemos no panorama musical português é uma extrema bipolarização da música. Se uma banda ou música se torna muito conhecida, imediatamente é rotulada como “popularucha” e não entra em certos círculos mais culturais ou eruditos. Por outro lado, a música mais alternativa não tem espaço nos grandes canais de divulgação. Refiro-me às rádios, TV, salas de espectáculos, imprensa…

. Entrevista chegando quase no final. Como vocês lidam com carinho dos fãs? E como é saber que tem fãs fora do país de origem de vocês?
O carinho dos fãs é o melhor que um artista pode ter. É o sinal de reconhecimento pelo trabalho feito, a garantia de estarmos no rumo certo. Esse carinho tem que ser retribuído, pois a música é de quem a ouve. Nós fazemos a música que gostamos, mas queremos que as pessoas gostem tanto de a ouvir como nós de a compor.

. O que vocês conhecem musicalmente do Brasil?  Gostariam de fazer alguma parceria musical? Quem seria o músico ou banda escolhida?
É impossível falar da música brasileira sem ir parar aos gigantes como o Tom Jobim ou os artistas do tropicalismo que revolucionaram a música como nós a conhecemos - Caetano, Gilberto… No panorama mais recente, acho especialmente interessante o aparecimento de projectos como os Boogarins, que recuperam o psicadelismo que encontrávamos nos Mutantes, por exemplo.

. Quais as próximas novidades da banda que podemos esperar?
Para já, estamos a promover este primeiro single, com o qual tivemos a agradável surpresa de ter sido escolhido para a banda sonora da telenovela ‘Coração D’Ouro’ (coincidência engraçada o nome, não?) no canal de TV SIC. Estamos também em estúdio a gravar os temas que vão estar no nosso álbum de estreia, com lançamento previsto para 2016. Nessa altura, começaremos também com concertos ao vivo por Portugal e, quem sabe, talvez desse lado do Atlântico…

. O que vocês andam ouvido atualmente? Há alguma banda ou artista que gostariam de recomendar aos leitores?
Se falas da música portuguesa que ouvimos, há muitas bandas a fazer um excelente trabalho que mereceria alguma atenção também no Brasil, onde a sua qualidade muito lusa pode ser apreciada. Assim de repente ocorrem-me os Dead Combo, o Rodrigo Leão, o B Fachada, Fandango... Todos estes músicos/bandas têm uma portugalidade muito própria.

. Gostariam de deixar algum recado para os fãs da banda e leitores do Maah Music!?
Ouçam muita música portuguesa (sem esquecer os Coração Noir…). Se a música alimenta o espírito, a boa música dá-lhe saúde ;)



Gostaram? O que vocês acharam do som da banda?  Deixe seus comentários!
Gostei, gostei muito!
A banda Coração Noir está enraizado numa sofisticada pop clássica, com alguma inspiração na década de 80, incorporando também na sua sonoridade a estética acústica de outros estilos, entrelaçando harmonias com melodias que extravasam rótulos singulares. Em Coração Noir dominam ritmos suaves e calmos, com andamentos lentos pontuados por explosões de energia e vivacidade, que convivem com temas declaradamente fortes e cadenciados de ponta a ponta.
Inspirando-se fortemente no estilo cinematográfico que emprestou o nome à banda – o film noir, Coração Noir assume um ambiente noturno tanto a nível sonoro como visual. Os temas dominantes ambulam, deste modo, em torno de dramas nostálgicos ou romances permeados por fatalismo e injustiça, em ambientes urbanos, muitas vezes em narração confessional na primeira pessoa.
Resta mencionar uma marca característica de Coração Noir patente na poética eleita para dar voz às melodias – as composições de escrita original, sempre e assumidamente em português, cuja intensidade poética se adequa ao ambiente sonoro. A língua portuguesa está assim presente num espírito de portugalidade cosmopolita e urbana, indissociável da forma de estar e de sentir dos elementos deCoração Noir.

Gostaram da banda e querem saber de tudo sobre eles? Acesse:



 Leitores queridos, amanhã tem mais novidades hein, te espero!
Beijo,
@maahmusic

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