quarta-feira, 18 de novembro de 2015

OUÇA AGORA: MINDGARDEN..


Leitores viciados em música.
Minha indicação de hoje é a banda Mindgarden. Formada em 2009, compõem atualmente a banda: Marcelo Moojen (vocal e guitarra), Luis Fernando Alles (vocal e guitarra), Mateus Mussatto (bateria) e Mairo Ferreira Ramos (baixo). A Mindgarden (em tradução literal, jardim da mente) nasceu como uma banda de música instrumental e inseriu vocais pouco tempo antes de lançar seu primeiro EP, em 2012. Desde a sua formação inicial, tocou em diversos festivais da região Sul do país e teve sua música bem propagada na mídia especializada. O som é uma profusão de influências que passam pelas ondas psicodélicas e progressivas dos anos 1960 chegando ao rock alternativo atual. A banda confessa que a região da serra gaúcha e seu clima de montanha do extremo sul do Brasil também influencia naturalmente no som: a música rural-contemporânea-psicodélica, como sugerem os integrantes. Em 2013 a Mindgarden lançou seu videoclipe “Up in the Sky”, com a direção do cineasta Daniel de Bem. No vídeo, a paisagem rural da região e a paisagem urbana se misturam em uma road trip, traduzindo a dualidade de uma cidade nesses tempos de desenvolvimento acelerado.


O sucessor do homônimo EP, lançado em 2012, foi batizado de “Cellophane”, palavra em inglês que nomeia a película feita de celulose que possui fácil moldagem, é sensível ao corte e protetora ao mesmo tempo. Esse paradoxo permeia o inusitado conceito como um vetor de orientação estética e visual para o álbum. São dez faixas, com letras que relatam vivências cotidianas, existencialismo e questionamentos à sociedade moderna com sonoridade que varia entre influências e timbres vindos de diferentes vertentes. Algo de Post-rock, Stoner Rock e Psicodelia, tendo como base ritmos de bateria e percussões que fazem a junção de texturas e melodias vocais duplas transformarem-se em verdadeiros mantras.
Já a produção do álbum foi uma construção minuciosa, começando pelo local onde foi realizada a maior parte das gravações: uma antiga residência rural em meio a natureza, que abriga os ensaios da banda desde seu surgimento. “A sugestão veio do produtor musical Carlos Balbinot, com o conceito de captar a banda ao vivo, na sua mais pura essência” relata o vocalista e guitarrista Marcelo Moojen. Para isso, a Noise Produtora de Áudio instalou 20 microfones pela velha casa de madeira e, em dois dias, o instrumental estava captado.
A arte da capa criada por Leo Lucena, que além de ilustrador e artista gráfico, é membro das bandas conterrâneas Catavento e Descartes apresenta uma montanha que é atingida por uma energia que vem de cima e, ao mesmo tempo, emana sua própria energia. “A montanha representa a cidade de Caxias do Sul, enquanto a variedade de cores representa sua cultura plural e multifacetada, que se mistura e se transforma a cada encontro, gerando novas cores.” explica Marcelo Moojen, vocalista e guitarrista da banda, que além de gerar o conceito, fotografou o processo. “A técnica usada para o design da capa foi um pouco incomum: foi feita uma colagem com celofane transparente, fita adesiva e filtros. Assim, a luz branca dividiu-se em outras cores através do fenômeno conhecido como birrefringência” complementa Marcelo.
O álbum físico foi lançado em CD pelo selo Honey Bomb Records no último dia 11 de novembro e foi fomentado pelo Financiarte, uma política pública de incentivo à cultura da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul.

SOBRE AS LETRAS:
O álbum essencialmente trata de questões existenciais e do cotidiano, trazendo também algumas críticas à sociedade contemporânea. A faixa título do álbum, "Cellophane", fala sobre a rotina muitas vezes sem sentido que nos aprisiona, sem fazermos qualquer questionamento ou até mesmo sem perceber a sua existência e o que está por trás dela. "Open" fala sobre o medo de mudanças, tanto por julgamentos externos quanto internos. "Empty Days" chama a atenção para o tempo, finito e por vezes desperdiçado em dias banais, como se a vida fosse eterna. Divagações e analogias da existência humana e do astro-rei, o Sol, aparecem em duas músicas, "The Silence of the Sun" e "Solstice". "Brand New Seven" talvez seja a faixa mais existencial do álbum, falando sobre a busca de força interior e a vontade de descobrir o mundo e a si. "Psycho" tem como tema o egocentrismo nas relações humanas. "Bossa Velha" fala sobre despedidas, sobre o que podia ter sido mas não foi: sentimento comum no amor e na morte. "Life in Vain" traz uma reflexão sobre o uso de drogas, prescritas ou não, para suportar a rotina e a vida contemporânea: é mais fácil tomar um comprimido do que fazer uma mudança. "Exile" trata sobre a dor da emigração forçada por conflitos (disputas de poder, basicamente: ego).



Gostaram? O que acharam do som da banda? Deixe seus comentários.

Um álbum recheado de coisas boas, não tem como não gosta do som deles. Para acompanhar mais o trabalho da banda, acesse:


Ouça o EP de 2012 aqui >> EP MINDGARDEN SOUNDCLOUD

Espero que vocês tenham gostado da minha dica de hoje.
Beijo abraços, @maahmusic

Nenhum comentário:

Postar um comentário