segunda-feira, 7 de setembro de 2015

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM BANDA AMIGO IMAGINÁRIO.


Leitores curiosos (as),
Tudo bem com vocês?

Hoje tem mais uma entrevista insana aqui no blog e foi uma grande honra entrevistar a banda Amigo Imaginário. Ele já fez parte da minha lista de dica. Como já tinha declarado no meu twitter,  que o som da banda é meu recente vicio e me cativou logo de cara. Venho acompanhado o trabalho deles e isso faz com que eu goste mais e mais da banda. Tive a oportunidade de conversar com eles e saber curiosidades e novidades. Vem conferir entrevista exclusiva com a banda Amigo Imaginário.


. Felicidade em receber a banda Amigo Imaginário. E vamos começar a entrevista com uma pergunta bem diferente. Vocês têm amigos imaginários?
Malinoski (voz e guitarra):  Até tinha alguns quando era pequeno. Não no sentido clássico de realmente achar que eram de verdade. Eu sabia que eu inventava eles quando brincava sozinho.
Perurena (baixo): Acho que eu sempre obtive essa fuga da realidade de alguma forma, mesmo que não através de uma figura personificada de um amigo imaginário. Quem cumpria essa função de amigo imaginário na minha infância eram as histórias em quadrinhos e a própria música, coisas que alimentavam a minha imaginação de alguma forma. Mais tarde vieram também os livros, mas a música sempre foi protagonista nesse cenário imaginário, como algo que me repete a diferentes estados de espírito e contemplação. 
Rech (guitarra e voz): Como o Perurena, nunca tive amigos imaginários na forma clássica. Mas acho que fiz como ele e transformei em amigo aquilo que me deixava feliz.

. Por que o nome da banda “Amigo Imaginário”?
A gente sempre teve clareza que um nome de banda só pode ser avaliado em relação ao som da banda. Por exemplo, Nirvana. Se fosse um som calminho com influências budistas, seria um péssimo nome. Ele só é tão bom, porque a banda tem um som punk e agressivo.
Então, Amigo Imaginário, apesar da primeira leitura ser infantil, quando você compara com o som, que é adulto, sério, denso e melancólico, ele ganha outros significados mais interessantes. Um amigo imaginário pode ser uma condição psiquiátrica, pode ser uma manifestação de fé, pode ser a lembrança de um ente querido, um amigo virtual, um objeto muito significativo e por aí vai.
A gente queria que o nosso som virasse um amigo imaginário para as pessoas, fazendo companhia quando elas estão solitárias.

. Queremos saber um pouco mais do passado pré-musica. Como surgiu o interesse de cada integrante da banda pela música? 
Malinoski: Minha mãe ouvia muita música em casa. Isso sempre fez parte da minha vida. O interesse em fazer música veio da preguiça em aprender a tocar a música dos outros. Sempre achei um saco. Preferia inventar as minhas.
Facco (bateria):  Eu comecei com piano, aos 9. Isso durou uns 3 anos. Nao funcionava lendo partitura. Ia so no ouvido. E foi no ouvido que aprendi a tocar guitarra. Mas nada incrível. Tinha mão lenta, pouca base pra solar, improvisar. O lance é que o que sempre quis tocar era bateria. Isso so foi acontecer com a banda. Me lembro do Malinoski perguntando: mas tu sabe tocar? Eu disse que não, mas que isso a gente dava um jeito.
Perurena: Meu pai ouvia música o tempo todo em casa, e gostava muito de cantar. Isso influenciou meus irmãos mais velhos, que tocavam violão e piano. Isso me influenciou diretamente, até o momento em que comprei meu primeiro baixo, em 98, quando entrei na minha primeira banda, a winston (escrita com minúsculas mesmo). 
Rech:
 No meu caso a família foi o ponto de partida pra amar música, desde uma fita cassete do Paul Simon no carro do meu pai até os LPs do Led na casa do meu tio. Mas pra me tornar um músico eu precisei do empurrãozinho de um amigo que queria montar uma banda. 

 . Na opinião da banda o que mudou de 2011 pra 2014 na banda musicalmente?
O nosso som ficou mais polido. Parte é pelo processo natural de entrosamento da banda, de tocar melhor junto, de conseguir criar dinâmicas mais singelas. Mas boa parte foi o momento de vida da banda. Todos passaram por problemas pessoais, como separação, doença na família ou perderam entes queridos; todos estão próximos aos 30 anos, que é um momento de reflexão; então, o som reflete essa melancolia de entender que as coisas têm fim.
E, com o passar do tempo, a distância da família e saudade de casa e dos amigos que ficaram no sul só aumentou o lado imersivo e contemplativo do nosso som. Assim como nosso lado emocional foi obrigado a evoluir e se adaptar a esse sentimento, nosso som acabou acompanhando essa mudança pessoal.

. Qual é a auto-definição do som que é feito por vocês? 
A gente nunca conseguiu chegar num acordo ou em alguma descrição simples. Nossa esperança é que algum jornalista faça isso pra gente.
Mas posso dizer que elementos a gente está tentando misturar. A gente queria ter a sensibilidade melódica dos anos 60, as guitarras do anos 70, o clima denso do pós-punk, a energia dos anos 90 e as texturas climáticas do pós-rock dos anos 2000. É coisa demais, né?

. Vocês já lançaram 3 EPs. O que cada EP da carreira da banda tem de especial?
Malinoski: Difícil essa... Deixa eu ver...
O primeiro foi nossa estreia em gravações, quando a banda passou a existir para o mundo. Acho que ele é mais pra cima e reflete a essa alegria da descoberta. Ele é o nosso lado luz.
O segundo e o terceiro são o lado sombra. Mais densos e pesados.
No disco que vamos lançar agora, acho que encontramos algo no meio da luz e da sombra, com momentos para ambos os lados.
Facco: A trajetória entre o primeiro EP e o disco é o que mais tem de especial. Foi um processo de se conhecer melhor, de criar casca, calo. Nunca é fácil entrar no estúdio pra gravar. Tem vezes que o cara desaba e é fácil perder o controle. Mas a gente saiu melhor. Conhecendo ainda mais um pouco de cada um de nos. 
Perurena: Acho que no disco, os momentos de luz podem ser traduzidos como aquele sol que entra na janela durante o inverno. E pra mim os momentos de sombra também estão menos sombrios, mais próximos dum cenário de um dia nublado numa praia vazia e fora de temporada.

. Como foi o processo de composição e gravação do novo disco “A vida que falta”?
 A composição foi bem variada mesmo. Diria que foi diferente pra cada música. Tem composições de todos na banda. E sempre que a gente começa a trabalhar em uma música, a gente acaba transformando ela bastante. A gente fica um bom tempo em cima de cada uma até todos estarem satisfeitos.
A gravação foi tranquila, pois envolvemos o Valmor Pedretti, o produtor, bem no início. Ele foi participando do processo todo e só gravamos quando as músicas estavam bem fechadas. Ainda assim, ele está contribuindo muito na mixagem, trazendo muitas ideias incríveis de arranjo.

. Em relação ao primeiro EP da banda e o novo disco. O que vocês destacam de mudança sonora da banda?
Amadurecimento. O som está mais maduro em todos os sentidos. E, claro, hoje encontramos a identidade da banda que, naquela época, ainda estávamos atrás.
Esse amadurecimento do som trouxe uma riqueza maior de texturas e uma leveza maior pra todos na banda na hora de tocar. Agora a gente toca de forma mais solta e aprendemos como funciona nossa dinâmica como quarteto, onde um complementa o outro e todos os instrumentos e vozes conversando, trocando entre si.

.Como foi a escolha do primeiro single? Por que a canção “Casa de Pedra”?
Porque ela resume bem o disco. Ela reflete tanto na letra, quanto na música o tema principal do disco, que é a melancolia da distância das pessoas amadas. E também porque depois de testar as músicas nos shows, a gente sabia que ela era um dos carros-chefe.

. Vocês é uma banda formada por gaúchos. Na opinião da banda: Qual a diferença entre o cenário musical de São Paulo e Porto Alegre?
Talvez seja uma impressão de quem ainda é estrangeiro, mesmo depois de 7 anos em São Paulo, mas acho que a principal diferença são as dimensões. Aqui, tudo é maior. Tem mais cenas, mais pessoas, mais lugares para tocar. Lá, é menor. O lado bom é que todo mundo acaba se conhecendo, o que ajuda no lado da união e parceria das bandas. 
Outra coisa é que estamos numa condição bem atípica, onde somos uma banda de gaúchos, mas somos uma banda de São Paulo. Por isso, ficou um pouco difícil a gente conseguir se integrar com algum movimento ou cena existente. Até hoje, quem mais nos abriu espaço (e abre espaço pra bandas como a nossa) foi o Mancha, e temos muito que agradecer a ele por isso. Nossos melhores shows foram lá na Casa do Mancha e inclusive gravamos algumas vozes do disco lá com ele.

. Queremos saber um pouco mais sobre cada integrante da banda. Qual álbum cada integrante indica para os leitores musicais?
Malinoski: A banda que mais explodiu minha cabeça em 2015 foi uma suéca, The Amazing. O disco chama Picture You. Não conhecia antes desse disco e virei fã na hora. O som é incrivelmente climático, parece se desfazer no ar. 
Facco: Uma das ultimas coisas que ouvi e foi uma patada foi o Porto Duo, projeto do Regis Damasceno e do Richard Ribeiro. Fiquei quase mudo depois do show, especialmente pela relacao que o Richard tem com a bateria: ela vai muito alem de duas baquetas. 
Perurena: O disco que eu mais ouvi este ano sem dúvida foi o Bad Debt, do Hiss Golden Messenger. Ele lançou um disco muito bom em 2014 chamado Lateness of Dancers, com ares de outro artista que eu adoro que é o Van Morrison. Mas o que eu mais me emociona é o Bad Debt de 2010 por ser um disco bem cru, gravado na cozinha dele. Um disco de canções singelas com letras fortes, onde o artista se mostra totalmente exposto despido da produção dos discos que seguiram.
Rech: Recomendar música é muito loteria sem ter um parâmetro bem claro. Como o blog dá bastante espaço pra bandas nacionais, vou usar isso como base pra indicar a Dingo Bells, que fez meu disco nacional preferido desse ano, o Maravilhas da Vida Moderna.

. Entrevista quase no final. Quais as próximas novidades, lançamento e agenda de show?
Vamos lançar clipes para os nossos singles: Casa de Pedra, Garopaba, Quando Acordei e Pra quando você quiser voltar. 

. Qual mensagem vocês deixam para os fãs e leitores do blog?
Imagino que quem lê o blog já é uma pessoa ligada no que está sendo feito de música no Brasil acima da média, mas diria para ficar atento às bandas nacionais. Tem muita coisa bacana sendo feita, mas com o cenário atual da música, essas bandas acabam não tendo tanta exposição. Tem que ir atrás.

. Hoje vocês comandam o blog. Qual música vocês deixam para os leitores? 

Picture You, The Amazing.



Gostaram? O que acharam da entrevista com a banda? Deixe seus comentários!

Estou ansiosa para ver o show deles ao vivo. Eles fazem músicas que realmente tem uma mensagem importante. Virou fã da banda? Faça como eu, acompanhe todas as novidades sobre. Acesse:



Eu fico por aqui, um megabeijo e espero que tenham gostado da postagem de hoje. Amanhã tem muito mais.

@maahmusic

2 comentários:

  1. Gostei muito da entrevista. A banda eu já conhecia mas curti ver esta divulgação.

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    Respostas
    1. Essa Banda é sensacional. A gurizada, compõe, toca, canta, faz arranjos e tudo mais.
      Som muito legal e inteligente. valeu!!!

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