quarta-feira, 29 de julho de 2015

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM DUDA BRACK.


Olá, meus queridos leitores.
Tudo bem por aí?

Hoje eu tenho mais uma novidade muito bacana para vocês. Recentemente tivemos a presença da linda e talentosa cantora e compositora Duda Brack  aqui no blog como dica da semana, e é com muita alegria que anuncio agora uma entrevista exclusiva com ela. Vamos saber mais sobre curiosidades e sobre seu primeiro álbum recém lançando, o É.

Um trabalho subversivo. Um trabalho que inaugura um novo universo sonoro e contribui para o desenvolvimento da vertente de música brasileira autêntica e inovadora. Um trabalho que, por receber informações de diversos estilos musicais, mixa suas referências e constrói uma linguagem forte e singular, como aconteceu em movimentos como Bossa Nova, Tropicália e Mangbeat, e também na obra de compositores brasileiros como Villa Lobos, Tom Jobim e Lenine.

É, o primeiro álbum da artista Duda Brack, vem para ampliar a escuta do que está sendo produzido no cenário da nova música brasileira, consolidando a cena contemporânea, expandindo o diálogo cultural nacional e internacional.Em É Duda Brack mergulha de cabeça na recriação da criação alheia. Recompõe canções inéditas de compositores contemporâneos, propondo um resgate à figura do intérprete - que já foi tão explorada na construção da nossa história musical, deixando tantos legados (como a obra de Elis Regina, Cássia Eller, Ney Matogrosso e Gal Costa), e que hoje está oprimida pela figura do “cantautor”.Com produção musical de Bruno Giorgi (Lenine, Cícero, Baleia), o disco sustenta a tradição da canção, mas subverte o modo como esta é explorada através dos arranjos assinados pela cantora e sua banda - Gabriel Ventura (Cícero / Ventre) na guitarra, Barbosa (Posada e o Clã / SLVR) na bateria e Yuri Pimentel (Rua / João Cavalcanti) no baixo. 

Confira agora entrevista com Duda Brack! 


. Felicidade em recebê-la aqui no blog Duda Brack. Como foi seu primeiro contato com a música?
A música sempre me moveu inconscientemente, apesar de eu nunca ter tido uma relação estreita com ela até tomar consciência desse fato. Não sei quando e nem como foi meu primeiro contato com a ela. Só sei que, por volta dos meus quinze ano, comecei a perceber a força que a música exercia na minha existência, e aí foi que fui atrás de desvendar esse encantamento.

. Quando pensou em ser cantora profissional?
A medida que fui sendo devorada pela música, tornou-se inevitável devotar minha existência a ela. O que era um sonho de repente já era realidade, sabe? Isso é um fato concretizado em mim - na alma, na voz. E ninguém mais me tira isso. O “profissional” é que é muito relativo... No que tange a remuneração pelo meu trabalho: já ganho uns trocados quando em vez...

.Qual música representa você musicalmente falando?
A escolha de gravar uma canção é meio como tatuagem pra mim, sabe? A vontade de eternizar na alma, através da voz, algo que me é absolutamente significativo... Todas as canções que gravei nesse disco, e o disco em si, representam muito esse meu momento.

. Vamos falar sobre seu primeiro disco “É”. Como foi a escolha do nome do disco? A ideia de chamar o disco de “É” surgiu a partir de algumas ideias irresolutas, que acabaram me apontando pra essa direção. Eu queria um título curto, sintético, conciso, direto, e forte. Não queria nada que fosse carregado de um significado fechado. E eu tenho uma frase tatuada no meu braço, que tem sido meu mantra nessa caminhada louca de vida-arte, que diz “o abismo é.”. Eu sabia que o título estava ligado a ela, mas não achava que era exatamente isso... Eu achava que a ideia de abismo deveria estar presente de forma abstrata, e não direta e caracterizada. Refletindo sobre, me peguei pensando: mas então o que é o disco? O disco é... o disco É. “É”. Acho que foi Deus que me soprou no ouvido esse título... Pra mim, chamar o meu primeiro disco de “É” é bem simbólico. É tem a ver com estar sendo, no presente, sem pretender ser nada. Tem a ver com a verdade do momento, com a visceralidade toda que está presente neste disco, com a atitude corajosa dele. E, ao mesmo tempo, abre espaço pro subjetivo: pra cada pessoa que ouvir, “É” vai ser uma coisa diferente (e essa é a grande beleza e interessância da coisa toda na arte para mim). Sabe? É verbo. Não é adjetivo e nem adjetivado. Sei lá. Minha ideia foi que, optando por esse título, eu não estaria relacionando ele a nada, e, assim, eu manteria a hibridagem que persegui na construção dele.

. Como foi o surgimento do primeiro disco?
Lá por maio de 2013 (eu já tinha 80% do repertório do que viria a ser “É”, já pensava sobre um primeiro registro fonográfico autoral e já tinha uma ideia sobre conceito e sonoridade deste trabalho) pintou um convite pra fazer um show, e eu não tinha banda aqui no Rio. Liguei pro João Cavalcanti, que me indicou os meninos (Yuri Pimentel: baixo / Gabriel Ventura: guitarra / Barbosa: bateria). Foi aí que a coisa toda começou a começar. Durante uns 8 meses a gente se encontrava na casa do Yuri pra tocar junto, tomar chá e criar os arranjos para as músicas. E, no fim, o show nunca saiu, mas a gente gostou tanto de tocar junto que continuou desenvolvendo esse trabalho juntos. Quando pensamos ter algo sólido e coeso em mãos, chamamos Bruno Giorgi para produzir, gravar, mixar e masterizar. E foi isso que fizemos durante o ano de 2014.

. Você além de cantora é compositora também, mas nesse seu primeiro disco não entrou nenhuma das suas composições. Por quê?
Na verdade verdadeirissimamente verdadeira: não me considero compositora. Compor é algo que às vezes me acontece, desprevinida e intuitivamente. Não é algo que eu persigo, e nem que me seja inerente. Minha transa mesmo é interpretar; recriar a criação alheia; impor o meu ponto de vista sobre as coisas... Das duas músicas que fiz - e que realmente considero - não gravei nenhuma porque acho que nenhuma delas me representa (ainda que eu tenha carinho por elas).

. Como foi a escolha de repertório do seu primeiro disco?
Não houve um processo de seleção de repertório para o disco. Todas as canções que estão presentes nele são músicas que eu venho recolhendo e cantando ao longo desses três anos (desde que mudei para o Rio). Portanto, foi natural e orgânico elas estarem presentes no disco. Todas elas falam muito sobre mim, e sobre esse meu momento. Cantá-las é uma espécie de “desafogamento” pra mim. É um modo de reagir à tudo que me atravessou nesses últimos tempos. Percebi que, de fato, elas construíam um álbum, fazendo o disco. Sabe? Em alguma medida, acho que o elemento que as unifica é os meninos (da banda) + eu. Originalmente elas são muito “dessemelhantes”; são diversos universos dialogando aqui...

. Apesar de já ter feitos outros trabalhos, até mesmo com parcerias com outros artistas. Como você definir o seu primeiro disco?
Treino é treino e jogo é jogo, né? Rs. Acho que tudo que fiz até aqui foram auto-experimentações. “Because Ousa” (que é a canção que eu mais cantei na vida, rodando em vários festivais pelo Brasil todo) me representou integralmente naquela fase em que eu estava cantando ela adoidado por aí. Entretanto, esse disco é o primeiro fragmento que eterniza minha passagem nessa existência por inteiro - com profundidade, coesão, inteiritude, plenitude. Sabe? Tudo ali sou eu: das canções à capa; dos arranjos à fonte do encarte e ao projeto gráfico do disco. Escolhi e dirigi tudo que diz respeito a esse trabalho, e acho que fui bem sucedida no que me propus a fazer: imprimir nele a minha personalidade.

. Qual a canção do seu novo álbum que mais ter representa?
Todas. Cada uma é uma parte de mim...

. Você era de Porto Alegre e se mudou para Rio de Janeiro. Por que essa mudança? Qual a diferença entre os dois cenários musical?
Quando ainda morava em Porto Alegre, eu vinha frequentemente ao Rio (sempre tive família aqui), e, por conta disso, comecei a conhecer uma galera daqui que estava fazendo música e fui me envolvendo, criando laços por aqui. Comecei a ter contato com mais gente da minha geração que tinha uma mesma busca que a minha. Além disso, o Rio - assim como São Paulo - ainda oferece mais oportunidades. E eu fui percebendo isso. Até que me deu a louca e decidi que viria pra cá de qualquer jeito. Passei na UNIRIO para cursar licenciatura em música, e foi a desculpa que faltava. Eu sei que Porto Alegre tem uma cena autoral massa, mas não tive tanto contato com isso no tempo em que morava lá (ironicamente, vim a ter mais depois de estar morando aqui). No período em que fiz música por lá eu ainda estava me experimentando. Não tinha um trabalho autoral. Só cantava em bares e grupos vocais. Portanto, não me sinto muito no direito de estabelecer essa comparação entre as duas cidades, porque a verdade é que vivi coisas diferentes nas duas. 

Você é uma cantora que na minha opinião, quando cantar passa muita emoção através da música.Qual canção te deixa mais emocionada na hora de cantar?
Vou ser repetitiva, mas não tem como não ser: todas. Cada uma me emociona de um jeito diferente. E, além disso, essa coisa de show, de cantar ao vivo... cara, cada dia é um dia. É o momento, saca? E aí tudo é absolutamente interferido por tudo. Todas as coisas que acontecem respingam no canto.

. O que atualmente você tem escutado? O que você acha dos novos talentos da música brasileira que vem se destacando?
Tem muita coisa linda, né? Acho que tem uma galera nova fazendo algo já muito maduro e especial, cheio de personalidade. Admiro e me alimento disso. Pra citar alguns: Rua, Caio Prado, Posada e o clã, Cesar Lacerda, Ventre, Phill Veras, Baleia, Dio&Bacco.

. Quais suas principais influências?
Fiona Apple, Caetano, Radiohead, Gal 70, Pink Floyd, Ney Matogrosso, Dead Weather, Ana Cañas, Led...

. Você acaba de lançar seu disco de estreia. Você tem recebido muitas mensagens positivas sobre esse novo trabalho? E como você lida com as críticas positivas e negativas?
Sim! Surpreendentemente! Minha expectativa era bem menor em relação a aceitação desse trabalho... Cada critica positiva é bem-vinda, e, claro, é um estímulo. Mas a verdade é que construí este disco levando em consideração apenas o que eu acreditava artisticamente. Logo, me propus a defendê-lo com unhas e dentes, independentemente da aceitação dos outros. Eu penso que o mais importante de tudo é ter tesão. É tudo tão efêmero... Pra mim o que conta (e o que me parece ser perene) é saber que eu fiz esse trabalho com todo meu amor, minha fé e minha entrega, e que ainda, de quebra, eu me amarro em ouvi-lo no meu carro - com um distanciamento esquisito... Como se não fosse meu... E, ao mesmo tempo, me identificando com tudo ali.

. O seu novo trabalho o publico está tendo total aceitação. O que você acredita em tão boa aceitação do público?
Ah, não sei. Eu acredito que as pessoas se conectam com a verdade! Me parece que elas se conectam com verdade, com amor, com tesão, com coragem, com alma, antes de qualquer estereótipo de linguagem musical. Esse disco é um disco “fora da caixa”, e se propõe às subversões e às ambiguidades (de agradar em agredir e de agredir em agradar). Acho que a mensagem que chega primeiro é dessa força espiritual e emocional que amalgama esse disco.
. Entrevista quase no final. Quais as próximas novidades, lançamento e agenda de show?
04.08 em SP !!!
. Qual mensagem você deixa para os fãs e leitores do blog?
“Tudo que move é sagrado, e remove as montanhas com todo cuidado”. 

Vamos parar de lero-lero e curtir o som da cantora? Dá o play pra Duda Brack!!, 



Gostaram? O que vocês acharam da entrevista? Deixe seus comentários.

Eu quero deixar meu agradecimento especial pela oportunidade de estar fazendo essa entrevista: obrigada Duda! Lembrando que a cantora fará um show de lançamento aqui em São Paulo, compre seu ingresso aqui: http://www.tomjazz.com.br/item.asp?idEvento=131

Eu sei que o pessoal do meu blog gosta de música, então eu vou deixar uma dica para vocês que querem saber mais sobre a cantora: acessem:



Amanhã tem mais novidades aqui. Beijo queridos leitores do Maah Music.
@maahmusic





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