sábado, 6 de dezembro de 2014

“Vitória” está pronto, o novo álbum do Dead Fish.


E mais na cobertura do Spring Festival, no ABC paulista. 

Por Giovani Faccioli
Produção Diego Barezi

Final de semana retrasado levamos o Maah Music para cobrir o Spring Festival, que em sua primeira edição levou Dead Fish, Forfun, Alma Djem e Garage Dezoito ao ABC paulista.

Nos bastidores do Clube Aramaçan na cidade de Santo André, onde aconteceram os shows, nos encontramos com o Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish. Após a apresentação da banda, entre um lanche e outro, Rodrigo sentou para bater um papo com o Maah Music.
Muito gente fina, conversamos sobre política e novas influências, além dos 20 anos de estrada da banda capixaba. Com o último álbum de estúdio “Contra Todos” lançado em 2009, não pudemos deixar de comentar sobre o tão aguardo disco novo, até então sem previsão. Rodrigo adiantou novidades em primeira mão do novo trabalho e você confere agora toda a entrevista exclusiva!
Já no finalzinho na noite, também trocamos uma ideia com o Lukinhas, vocal da banda Garage Dezoito, e idealizador do festival. Falamos sobre os shows e o novos trabalhos da banda, que vão desde novo EP até projeto inédito de covers. Você precisa conhecer!


DEAD FISH


MM: Vocês estão no meio do underground e são um dos maiores nomes do hardcore nacional há mais de 20 anos. O que isso representa para o Dead Fish e como vocês enxergam esse cenário atualmente?
Rodrigo Lima: “Eu costumava achar que isso tinha que ser para todo mundo. Isso tinha que ser para muito mais bandas que existem no Brasil, só que o Brasil não é um país muito meritório, eu diria. Eu acho até que um pouco das pessoas da cena independente tem uma certa preguiça, mesmo com internet. Mas eu me sinto privilegiado de nos últimos treze, quatorze anos viver da minha música. É um milagre num país como o nosso fazer o tipo de som que a gente faz.

MM: Vocês tiveram o Contra Todos em 2009 e veio DVD em 2012. A partir daí, o que vocês estão experimentando no palco? Pois vocês não pararam com os shows. Estão em processo de gravação de novos trabalhos?
Rodrigo: ”Já temos um disco pronto que se chama Vitória’! E nem vamos falar de previsão por que o André inventou essa previsão, e eu atrasei tudo. A gente teve um problema grave com a gravação no estúdio, mas já estamos na fase de mixar e masterizar. Vai sair! Eu sou o cara mais crítico em relação à minha banda, e digo que é um baita disco!

MM: Vocês têm trabalhado nele há quanto tempo? Como foi o processo de gravação?
Rodrigo: Um ano. Gravamos durante cinco meses, mas ficamos um ano envolvidos no processo. É um processo chato e duro. Mas vai sair e vai ser lindão!

MM: A maioria das letras de suas músicas são sobre política ou de cunho social. Na hora de compor, elas vêm como um desabafo ou um grito para a mobilização?
Rodrigo: Eu escrevo o que eu percebo, eu sou um observador e eu falo daquilo que eu observo! Eu venho de uma família que tem uma herança de crítica política, então eu falo sobre isso.

MM: E vocês recebem algum feedback dos fãs? Eles respondem ao que vocês cantam?
Rodrigo: Não, nem todos e nem é a intenção! Não somos um partido político ou um PIN. Nós somos um instrumento. Talvez possa funcionar como uma ferramenta em que o moleque fala Pô, o que ele tá falando?, Quem é o fulano que ele falou na música ali?, e procurar. Eu gostaria muito que o país fosse mais progressista, liberal e moderno, e muito menos de direita e religioso. Politicamente, a gente tem um feedback que é mais individual do que das massas ou de alguma tendência política.

MM: Depois do boom do hardcore no Brasil, a gente viu uma grande afluência de outros estilos musicais como o hip hop, que está muito presente na mídia de grande massa. Você acha que aquele período do hardcore em 2006 foi o último expoente do rock no Brasil?
Rodrigo: “Eu acho que o hip hop e outros estilos musicais ainda têm menos destaque do que deveriam na grande mídia. No independente e no underground - fora da Globo e das revistas de massa -, as pessoas continuam produzindo muita coisa como Garagem Rock, Grindcore, Hardcore, Heavy Metal, Black Metal, Hip Hop, Eletrônico... Tem muita coisa que acontece no Brasil, mas existe uma certa preguiça das pessoas de acharem que o que está fazendo sucesso é o que está passando na Rede Globo, na TV aberta. Isso é bem relativo, pode ser sucesso numa questão de dinheiro ou na questão de movimentação de massas. Para as massas, eu não sei se o hardcore chegou a ter um expoente. Você fala do CPM 22 ou alguma coisa assim?

MM: “Também. Por exemplo, hoje nós não temos a MTV em destaque na TV aberta, mas anos atrás, querendo ou não, a MTV deu uma grande abertura para essas cenas culturais, que acabaram conquistando muita gente que talvez de outra forma não teria conhecimento da cena que estava acontecendo nos principais centros do país.”
Rodrigo: É... Hoje não há necessidade de se ter um grande veículo para fazer uma banda se tornar grande. As bandas que serão grandes nos próximos 10 anos não serão as bandas que eram grandes há 40 anos atrás. Ninguém vai ser outro Beatles, outro Kiss, outro U2. Talvez as coisas vão ter um tamanho um pouco menor e uma efetividade cultural um pouco maior, não sei! Mas falar que foi o último expoente do rock... Ah, foda-se, sabe? Rolou na mídia de massa, teve um ciclo. E é cíclico mesmo que acontece. Para a mídia de massa é consumo , você é produto. E como produto, um dia estou tomando uma Coca-Cola, daqui um mês estou tomando uma Pepsi. É produto. E eu encaro música de uma forma diferente!

MM: Então você tem acompanhado sons novos, de gente nova? O que você está ouvindo ultimamente?
Rodrigo: Eu continuo ouvindo punk e hardcore. Tem muita coisa rolando no Brasil a fora! Ouço outras coisas porque eu envelheci um pouco e quando eu era mais novo ouvia muita música negra. Eu gosto muito dessas bandas novas de hip hop. Eu gosto do Elo da Corrente - que já não é tão nova, uma banda que já tem mais de 10 anos. Eu continuo gostando das bandas de hardcore do Espírito Santo. Tem um monte de banda rolando lá. O Plastic Fire no Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, aquela cena roqueira deles influência por Refused é bem legal também. Enfim, tem muita coisa rolando! Mas isso, provavelmete, nos próximos 5 anos não vai aparecer nas listas de massa, e ainda bem. Que as massas se fodam e que continuem sendo instrumento, que continuem vivendo frustradas por ciclos, e deprimidas, e gordas… Eles que se virem e se tornem pessoas melhores procurando alternativas menores.

MM: “Significa que, de certa forma, não alcançar o grande público acaba ajudando para que essas bandas se mantenham fiéis ao trabalho delas e que não se tornem justamente produto de gravadoras?
Rodrigo: A gente já sentiu essa pegada de ser produto. A gente já esteve numa gravadora e é bem isso mesmo! Podíamos ter jogado um jogo mais bonito comofutebol-arte’, mas jogamos como futebol inglês, futebol alemão, pesada! No Brasil não funcionou. Algumas pessoas jogam um jogo, outras não. Escolhas são escolhas!

GARAGE DEZOITO


MM: “Não faz muito tempo que vocês gravaram um clipe foda e que foi bem comentado. (pessoal que acompanha o blog e ainda não viu do que estamos falando, clica aqui)  Como foi gravar este videoclipe?”
Lucas: "Na verdade tivemos várias ajudas, desde a parte da iluminação que o pessoal da Chacal ajudou o Doug com a Casa Verde. Então, todo mundo nos ajudou a fazer um material muito bom e pudemos produzir ele todo por meio de parcerias. E a ideia do clipe é que ele siga um roteiro, no qual cada música do nosso EP terá um clipe que será uma sequência do anterior. E todos os clipes vão formar uma história inteira. Essa foi só a primeira parte, e depois virão as outras das músicas que completam EP Ciclo."

MM: Quanto tempo vocês tem de estrada?
Lucas: "A gente já tá com 7 anos de estrada."

MM: Vocês também são os organizadores do Spring Festival. Como que é para vocês organizarem um festival onde todas as bandas são figuras consagradas no meio underground? O que elas representam para vocês e como se deu a escolha desse line up?
Lucas: "O Garage Dezoito é composto pelos cinco integrantes, e a 'UP!' que é a produtora do evento é apenas eu e meu irmão, o Bruno. Nós escolhemos bandas que sempre tivemos como parceiras nos eventos mesmo. De trabalhar bem e fazer acontecer junto! Não é questão de valor, de público ou coisa do tipo, é questão de quem ajuda a fazer melhorar a cena. E o fato de fazermos a abertura dos shows da noite é sempre bom para a gente, ainda mais por nos apresentarmos com um projeto novo de covers, que se chama Casa do Rock. A gente resolveu lançar ele aqui para ver a aceitação do público em relação a essa a ideia de mandarmos uns covers totalmente diferentes."

MM: Estamos chegando ao fim do festival e se vocês já puderem fazer uma avaliação dele, e uma autoavaliação também, qual seria?
Lucas: "Como Garage Dezoito, foi fantástico o evento. Foi um teste maravilhoso e a aceitação foi perfeita. E como empresa, a gente sempre busca visar algumas melhorias. Aconteceram alguns imprevistos, mas o evento no geral foi muito bom. O público está muito tranquilo, as bandas trabalharam muito bem e tudo aconteceu de uma forma homogênea. Enfim, foi demais!"

Gostaram? O que acharam dos bastidores do festival e das entrevistas? Deixe seus comentários!!
Amanhã tem mais música aqui no blog. Fiquem ligados hein!!
Beijo,
@maahmusic

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