E mais na cobertura
do Spring Festival, no ABC paulista. 

Por Giovani Faccioli
Produção Diego Barezi
Final
de semana retrasado levamos o Maah Music
para cobrir o Spring Festival, que
em sua primeira edição levou Dead Fish,
Forfun, Alma Djem e Garage Dezoito
ao ABC paulista.

Nos
bastidores do Clube Aramaçan na cidade de Santo André, onde aconteceram os shows,
nos encontramos com o Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish. Após a
apresentação da banda, entre um lanche e outro, Rodrigo sentou para bater um
papo com o Maah Music.
Muito
gente fina, conversamos sobre política e novas influências, além dos 20 anos de
estrada da banda capixaba. Com o último álbum de estúdio “Contra Todos” lançado
em 2009, não pudemos deixar de comentar sobre o tão aguardo disco novo, até
então sem previsão. Rodrigo adiantou novidades em primeira mão do novo trabalho
e você confere agora toda a entrevista exclusiva!

no finalzinho na noite, também trocamos uma ideia com o Lukinhas, vocal da
banda Garage Dezoito, e idealizador do festival. Falamos sobre os shows e o
novos trabalhos da banda, que vão desde novo EP até projeto inédito de covers.
Você precisa conhecer!

DEAD FISH


MM: Vocês estão no meio do underground e são um dos maiores nomes do hardcore nacional há mais de
20 anos. O que isso representa para o Dead Fish e como vocês enxergam esse
cenário atualmente?
Rodrigo Lima: “Eu costumava achar que isso
tinha que ser para todo mundo. Isso tinha que ser para muito mais bandas que
existem no Brasil, só que o Brasil não é um país muito meritório, eu diria. Eu
acho até que um pouco das pessoas da cena independente tem uma certa preguiça,
mesmo com internet. Mas eu me sinto privilegiado de nos últimos treze, quatorze
anos viver da minha música. É um milagre num país como o nosso fazer o tipo de
som que a gente faz.
MM: Vocês
tiveram o Contra Todos em 2009 e veio DVD em 2012. A partir da
í, o que vocês
estão experimentando no palco
? Pois vocês não pararam com os shows. Estão em
processo de gravação
de novos trabalhos?
Rodrigo: ”Já temos um disco pronto que se chama Vitória’! E nem vamos
falar de previsão por que o André inventou essa previsão,
e eu atrasei
tudo. A gente teve um problema grave
com a gravação no estúdio, mas já estamos na
fase de mixar e masterizar. Vai sair!
Eu sou o cara mais crítico em
relação
à minha banda, e digo que é um baita
disco!
MM: Vocês têm trabalhado
nele há quanto tempo?
Como foi o processo de gravação?
Rodrigo: Um ano. Gravamos durante cinco
meses
, mas ficamos um ano
envolvido
s no processo. É um processo chato e duro.
Mas vai sair e vai ser
lindão!
MM: A maioria
das letras
de suas músicas são sobre política ou de cunho social. Na hora de compor, elas vêm como um
desabafo ou
um grito para a mobilização?
Rodrigo: Eu escrevo o que eu percebo, eu
sou um observador e eu falo daquilo que eu observo! Eu venho de uma família que
tem uma herança de crítica política, então eu falo sobre isso.
MM: E vocês recebem algum feedback dos
fãs? Eles respondem ao que vocês cantam?
Rodrigo: Não, nem todos e nem é a
intenção!
Não somos um partido político ou um
PIN.
Nós somos um
instrumento.
Talvez possa funcionar como uma ferramenta em que o moleque fala
Pô, o que ele
t
á falando?, Quem é o
fulano que ele falou na música ali?
, e procurar. Eu gostaria muito que o país fosse mais
progressista, liberal
e moderno, e muito menos de direita e religioso. Politicamente, a gente tem
um feedback que é mais individual do que das massas ou de alguma tend
ência
política.
MM: Depois do
boom do hardcore no Brasil, a gente viu uma grande
afluência de
outros estilos musicais
como o hip hop, que está muito
presente na mídia de grande massa.
Você acha
que
aquele período do
hardcore em 2006 foi o
último expoente do rock no Brasil?
Rodrigo: “Eu
acho que o hip hop e outros estilos musicais ainda têm m
enos destaque do que
deveria
m na grande mídia. No independente e no underground fora da
Globo e
das revistas de massa, as pessoas
continuam produzindo muita coisa
como Garagem Rock, Grindcore, Hardcore, Heavy
Metal, Black Metal, Hip Hop, Eletrônico…
Tem muita
coisa que acontece no Brasil
, mas existe uma certa preguiça das pessoas de
acharem que o que
está fazendo sucesso é o que está passando na
Rede Globo
, na TV aberta. Isso é bem
relativo
, pode ser sucesso numa questão de dinheiro ou na
questão de movimentação de massas
. Para as massas, eu não sei se o hardcore chegou
a ter um expoente. Você fala do CPM 22 ou alguma coisa assim?
MM: “Também. Por exemplo, hoje nós
não temos
a MTV em destaque na TV aberta, mas anos atrás, querendo ou não, a MTV deu uma
grande abertura p
ara essas cenas culturais, que acabaram
conquistando muita gente que talvez de outra forma não teria conhecimento da
cena que estava acontecendo
nos principais centros do país.”
Rodrigo: É… Hoje não há necessidade de se ter um
grande veículo p
ara fazer uma banda se tornar grande. As bandas que
serão grandes nos próximos 10 anos não serão as bandas que eram grande
s há 40 anos
atrás. Ninguém vai ser outro Beatles, outro Kiss
, outro U2. Talvez as coisas vão ter um
tamanho um pouco menor e uma efetividade cultural um pouco maior, não sei! Mas
falar que foi
o último expoente do
rock
… Ah, foda-se,
sabe?
Rolou na
mídia de massa, teve um ciclo.
E é cíclico mesmo que acontece. Para a mídia de
massa é consumo
, você é produto. E como produto, um dia estou tomando uma
Coca
Cola, daqui um mês estou tomando uma
Pepsi
. É produto. E eu encaro
música de uma forma diferente!
MM: Então você
tem acompanhado sons novos
, de gente nova? O que você está ouvindo ultimamente?
Rodrigo: Eu continuo ouvindo punk e hardcore. Tem muita coisa rolando no Brasil a
fora! Ouço outras coisas porque eu envelheci um pouco e quando eu era mais novo
ouvia muita música negra. Eu gosto muito dessas bandas novas de
hip hop. Eu gosto
do Elo da Corrente
que já não é tão nova, uma banda que já
tem mais de 10 anos.
Eu continuo gostando das bandas de hardcore do Espírito Santo.
Tem um monte de banda rolando lá. O Plastic Fire no Rio de Janeiro. No Rio
Grande do Sul
, aquela cena roqueira deles influência
por Refused
é bem legal também. Enfim, tem muita coisa
rolando! Mas isso
, provavelmete, nos
próximos 5 anos não vai aparecer nas listas de massa
, e ainda
bem. Que as massas se fodam e que continuem sendo instrumento
, que
continuem vivendo frustradas por ciclos, e deprimidas, e gordas… Eles que se
virem e se tornem pessoas melhores procurando alternativas menores.
MM: “Significa que, de certa
forma
, não
alcançar o grande público
acaba ajudando para que essas
bandas
se mantenham fiéis ao trabalho delas e que não se tornem justamente
produto de gravadoras?
Rodrigo: A gente já sentiu essa pegada de
ser produto. A gente já esteve numa gravadora e é bem isso mesmo!
Podíamos ter jogado
um jogo mais bonito como
futebolarte’, mas jogamos como
futebol inglês, futebol alemão, pesada! No Brasil não funcionou. Algumas
pessoas jogam um jogo, outras não. Escolhas são escolhas!

GARAGE DEZOITO


MM: “Não faz muito tempo que vocês gravaram
um clipe foda e que foi bem comentado. (pessoal que acompanha o blog e ainda
não viu do que estamos falando, clica aqui) 
Como foi gravar este videoclipe?”
Lucas: “Na verdade tivemos várias ajudas, desde a parte da iluminação
que o pessoal da Chacal ajudou o Doug com a Casa Verde. Então, todo mundo nos
ajudou a fazer um material muito bom e pudemos produzir ele todo por meio de
parcerias. E a ideia do clipe é que ele siga um roteiro, no qual cada música do
nosso EP terá um clipe que será uma sequência do anterior. E todos os clipes
vão formar uma história inteira. Essa foi só a primeira parte, e depois virão
as outras das músicas que completam EP Ciclo.”
MM: Quanto tempo vocês tem de estrada?
Lucas: “A gente já tá com 7 anos de estrada.”
MM: Vocês também são os organizadores do
Spring Festival. Como que é para vocês organizarem um festival onde todas as
bandas são figuras consagradas no meio underground? O que elas representam para
vocês e como se deu a escolha desse line up?
Lucas: “O Garage Dezoito é composto pelos cinco integrantes, e a ‘UP!’
que é a produtora do evento é apenas eu e meu irmão, o Bruno. Nós escolhemos
bandas que sempre tivemos como parceiras nos eventos mesmo. De trabalhar bem e
fazer acontecer junto! Não é questão de valor, de público ou coisa do tipo, é
questão de quem ajuda a fazer melhorar a cena. E o fato de fazermos a abertura
dos shows da noite é sempre bom para a gente, ainda mais por nos apresentarmos
com um projeto novo de covers, que se chama Casa do Rock. A gente resolveu
lançar ele aqui para ver a aceitação do público em relação a essa a ideia de
mandarmos uns covers totalmente diferentes.”
MM: Estamos chegando ao fim do festival e
se vocês já puderem fazer uma avaliação dele, e uma autoavaliação também, qual
seria?
Lucas: “Como Garage Dezoito, foi fantástico o evento. Foi um teste
maravilhoso e a aceitação foi perfeita. E como empresa, a gente sempre busca
visar algumas melhorias. Aconteceram alguns imprevistos, mas o evento no geral
foi muito bom. O público está muito tranquilo, as bandas trabalharam muito bem
e tudo aconteceu de uma forma homogênea. Enfim, foi demais!”
Gostaram? O que acharam dos bastidores do
festival e das entrevistas? Deixe seus comentários!!
Amanhã tem mais
música aqui no blog. Fiquem ligados hein!!
Beijo,
@maahmusic
Author

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