sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Paul McCartney, é nóis!



"It's just another day..." ele cantou. Mas não, não era apenas outro dia. Não era um dia comum. Eu estava prestes a ver a maior referência musical que existe: o gênio Paul McCartney.


O Blog Maah Music me levou até o Allianz Parque, no dia 26 de novembro, pra realizar um dos meus maiores sonhos: a cobertura do show de um dos Beatles, o meu favorito, sir Paul McCartney. Era o show de encerramento da turnê Out There! no Brasil em 2014. E eu que ouvi tantas vezes que não tinha sentido escrever! Dou graças por nunca ter desistido.. nunca imaginei o que isso me proporcionaria. Um sonho, de verdade, ali, bem em frente a mim, sendo realizado. Que sensação indescritível. Indescritível, sim, mas vou tentar honrar o que me trouxe até aqui hahaha vou usar as minhas palavras pra tentar explicar toda a emoção que eu vivi.


A começar pelo sentimento "eu fui no show de um dos Beatles". Minha credencial de imprensa me deu acesso ao lugar mais pertinho dele possível pra nós, mortais: a grade de frente ao palco. A aventura começou cerca de uma semana antes do show, quando recebi em meu e-mail a notícia mais linda, a confirmação de trabalho no evento (confirmação essa que eu nem acreditava que fosse sair, de descrença que eu sentia no momento da aplicação). Chorei, pulei, gritei, tremi hahaha, não dava pra acreditar. Em alguns dias eu veria (o que eu já tinha certeza de que seria) o show da minha vida.

A ida a São Paulo foi, de fato, uma "viagem". Fui no dia do evento e voltei pro Rio Grande na manhã seguinte. Senti como se tivesse passado uma semana sem dormir. Foram horas de molho em aeroportos, que passavam arrastadas ao mesmo tempo que corriam. Nem eu decidia se ficava nervosa com os atrasos ou ansiosa à medida que a hora do show se aproximava. Cheguei ao imponente Allianz Parque, a Nova Arena Palmeiras, e fiquei de queixo caído com a estrutura e a beleza do lugar. Ignorei a chuva que insistiu em cair por todas as horas que passei esperando para entrar na sala de imprensa com meus colegas de profissão e seguranças, e nesse tempo trocamos contatos, experiências, guarda-chuvas. Vimos filas quilométricas se formarem, vimos gerações diferentes se reunindo pelo amor à música, vimos "pessoas comuns", "pessoas esquisitas", fãs que choravam, que corriam, que pintavam cartazes sentados no chão, que tinham as letras na ponta da língua pras diversas entrevistas que aconteciam ali, a todo momento. O brilho nos olhos de todos era pelo mesmo motivo: a oportunidade, o momento que estávamos vivendo.


Depois de mais algumas horas, entramos na Arena. Pude acompanhar a abertura dos portões, a corrida das pessoas na disputa pelo melhor lugar. Observei e absorvi tudo o que pude, guardei cada momento pra não esquecer. Vi aquele lugar encher, se iluminar enquanto o dia abraçava a noite. E o show se aproximava. E a ansiosidade aumentava. E a minha expectativa.. ah, ela estava prestes a ser superada.

Encontrei o meu lugar em meio a tanta gente vinda também de longe, famílias, casais, amigos. A chuva a essa altura já tinha cessado sua trégua e voltava a cair. O relógio marcava 21h. E nada do Paul. Cantávamos, animados, de baixo de chuva, cheios de (recém feitas) amizades de infância. E esperávamos.

Às 21h40, as luzes do Allianz se apagaram. Eis que surge no palco ele, de sobretudo preto e simpatia fora do comum, Paul.

Foram cerca de 3 horas de (muita chuva) clássicos da época dos Wings, dos Beatles e também da carreira solo, inclusive do último trabalho, New. Certamente o setlist mais rico que já vi. Teve homenagem a Jimi Hendrix, a George Harrison, a John Lennon. Pude apreciar a interpretação fiel da abertura com Magical Mystery Tour,(a partir daqui fora de ordem) de Let It Be, Live and Let Die e toda sua pirotecnia, Hey Jude (a minha favorita, com todos os seus "nanana"s.. ♥), All My Loving, Yesterday, Blackbird, Something, Eleanor Rigby, Here Today, Another Day, Let Me Roll It, My Love, The Long and Winding Road, Back in the U.S.S.R., Got to Get You Into My Life, Paperback Writer, Helter Skelter, Lady Madonna, Day Tripper, I Saw Her Standing There, Lovely Rita, My Valentine, Get Back, Ob-La-Di, Ob-La-Da, All Together Now, Carry That Way, We Can Work It Out, Save Us, Everybody Out There, New, Queenie Eye, entre (tantas) outras.. e o encerramento com The End. Vi McCartney apresentando sua "banda fantástica" e suas canções em sequência em português ("esta música que vou cantar agora escrevi com meu amigo..."), o vi tentando entender o coro "Paul, eu te amo" da platéia e respondendo com "eu amo vocês!", o vi nos cumprimentando com "e aí galera, beleza?" e nos chamando de "molecada", "gatinhas", usando gírias como "vocês são muito maneiros, tá ligado?" "é nóis" - SIM, PAUL MCCARTNEY FALANDO "É NÓIS" - logo antes de cantar Another Day, agradecendo com "valeu", "muito obrigado", o vi desdenhando a chuva e perguntando "vocês querem mais? não querem ir pra casa?" ..e encerrando (pela terceira vez no show, e dessa vez de verdade) com "até a próxima!" e uma chuva de papéis nas cores do Brasil.


Sabem aquela sensação depois de um show muito bom, de "quero maaaais"? Vou ser honesta.. ele não deixou nada a desejar. Ele não deixou nada faltando. Posso dizer que não saí com essa sensação daquela Arena, foi tão incrível, superou tudo o que eu imaginava, pegou minhas expectativas e jogou pela janela, me deu algo que vou levar na memória por toda a vida. Espero poder contar pros meus filhos sobre esse show do cara que, aos 72 anos, foi incansável e encarava o ritmo de um show de 3 horas como se fossem 3 minutos. O que eu vivi aquela noite.. ah.. depois de tanto tentar passar o que senti através desse texto, ainda sinto que faltam palavras. E sempre faltarão.

PAUL, MUITO OBRIGADA. Volte sempre. ♥
Texto por: Natália Schneider





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