quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Entrevista Exclusiva com banda Atalhos.


Hello my dear readers musical,
Eu (Maah Music), falando inglês ficou incrível né galera?

Mudando de assunto, hoje aqui no blog é dia de ENTREVISTA, é com a Banda Atalhos. Conheci a banda através do instagram, acredita? Pois é queridos leitores, confesso que desde que conheci o som deles estou apaixonada, eu nunca mencionei o nome deles aqui, mas, estava doida para falar sobre eles.

A banda Atalhos foi formada em 2008. E já lançaram um EP de estreia (Mocinho e Bandido), logo depois veio o primeiro álbum da banda em 2012 (Em Busca do Tempo Perdido), eles chegaram a fazer turnê na Argentina e Uruguai e se apresentaram em diversos lugares do Brasil. Bom, quer saber mais sobre á banda, então bora conferir entrevista com Banda Atalhos. 


. Estamos felizes com a presença da banda Atalhos aqui no blog. Contem por que o nome atalhos? Como vocês definem o som da banda?
O nome da banda vem da época do colégio, a gente tocava na fanfarra da escola e resolvemos formar uma banda de rock pra tocar covers de Nirvana, Legião Urbana, etc. Alguém deu a ideia de colocar o nome “Atalhos do Som”, mas depois com o tempo a gente não gostava mais do nome, também paramos de fazer covers e quando resolvemos levar a banda mais a sério e fazer nossas próprias músicas concordamos que seria melhor a banda se chamar apenas “Atalhos”

. Antes da banda Atalhos vocês já tiveram outras experiências como músicos ou com banda?
A gente começou a tocar muito cedo (quando tínhamos treze anos mais ou menos) fazendo covers de bandas brasileiras que a gente gostava nos anos 90 como Maria do Relento, Engenheiros do Hawaii, Titãs, etc. Mas só por volta de 2006 é que resolvemos criar nossas próprias canções, escrever nossas letras e lançamos nosso primeiro Ep só em 2008.

. Vocês já lançaram  um EP (2008), um álbum em 2012 e em breve estarão lançando um novo álbum em vinil. Entre esses trabalhos lançados, qual a diferença entre eles?  O que podemos esperar do novo trabalho?
Temos certeza de que esse novo disco é o trabalho mais autoral e profissional que já fizemos até hoje, ou seja, é um disco que nós temos certeza que conseguimos realmente dar a nossa cara tanto nas letras e no instrumental, quanto na produção detalhe de cada faixa. É o primeiro álbum em que nos sentimos maduros o suficiente para compor e gravar. Não que tenhamos vergonha dos trabalhos que anteriores, mas a diferença conceitual é tão grande que consideramos esse novo disco o nosso primeiro álbum de verdade.

. Como está sendo o processo de concepção do novo álbum?
Começamos a pensar no novo disco em julho de 2013, e quando decidimos gravar um novo álbum a primeira coisa a ser feita era compor músicas novas, e resolvemos que não usaríamos nenhuma composição antiga. Tomamos uma decisão de só gravar músicas novas, que correspondessem com o atual momento de nossas vidas, as nossas novas influencias, nossa maturidade atingida, os discos escutados, livros lidos, enfim, tinha que ser uma coisa que representasse o nosso atual momento, afinal não éramos mais adolescentes. Então o Gabriel (violão, bateria e voz) se fechou no apartamento dele em São Paulo e passou um mês compondo. No final desse período ele apareceu com 12 músicas inéditas e nós imediatamente entramos no estúdio pra começar a gravar essas músicas.

. As influencias musicais dos trabalhos anteriores são as mesmas desse novo álbum? Quais influências musicais do novo álbum?
As influencias são completamente diferentes. Quando começamos com a banda tínhamos muita influencia do rock nacional dos anos 80 e 90, que eram as bandas que fazíamos cover. Durante muito tempo ficamos presos à essas influencias e só depois de muito tempo conseguimos, finalmente, criar músicas que fossem mais fiéis às influencias escutávamos atualmente. Portanto, o novo álbum tem muita coisa do folk rock, especialmente de Wilco, Neil Young, Elliot Smith, Midlalke, REM, e vários outros. Inclusive a escolha do produtor Mark Howard pra mixar o disco foi devido à essas influencias. O Mark já mixou Neil Young, REM, Tom Waits, e vários outros... a propósito, durante o processo de mixagem do nosso álbum ele estava finalizando uma gravação da Joni Mitchell, e por isso a mixagem demorou mais tempo do que havíamos imaginado. Mas o resultado compensou esse atraso porque finalmente temos aquela sensação de ter conseguido fazer um disco nosso, ou seja, que apresentasse ao público nossa maturidade intelectual, e principalmente musical.

. Como vocês definem o a essência do novo disco?
O novo disco tem a essência de um álbum de verdade. Não são faixas soltas e embaralhadas pra formar um disco, nós queríamos fazer um álbum, queríamos que fossemos lembrados não por um single, ou uma faixa, mas sim pelo álbum como um todo, então tivemos que tomar algumas decisões. Por isso a maioria das músicas são longas, o nosso primeiro single, por exemplo, tem mais de 7 de minutos. A duração do álbum inteiro tem em torno de 70 de minutos. Todas as decisões foram tomadas pensando exclusivamente no lado artístico, de modo que pudéssemos explorar todas as potencialidades de cada faixa. Nenhuma música termina mais cedo só pra se enquadrar no que poderia ser uma faixa “comercialmente sustentável”. Cada faixa tem o tempo que precisa ter, do jeito que a gente entendia que tinha que ser. E essa é uma das coisas boas quando se é um artista independente. Claro que a gente ouvia opiniões das pessoas que estavam trabalhando com a gente, sabíamos reconhecer conselhos, mas não mudamos nada no disco só pra ele se tornar mais comercial, ao contrário, estávamos cientes de que estaríamos gravando um álbum para “poucos”.

Instrumentalmente pudemos experimentar muito, e a escolha do estúdio do produtor Alexandre Fontanetti em São Paulo teve muito a ver com isso. O estúdio do Fonta tem vários equipamentos analógicos, pré-amplificadores dos anos 50, guitarras dos anos 60, bateria dos anos 70, enfim, várias coisas vintage e que dão uma textura bem real da captação de cada instrumento. Não queríamos gravar um disco 100% digital, com correções e edições que parecem deixar as músicas cada vez mais robóticas, como se não fossem tocadas por humanos. Durante vários momentos do disco deixamos ruídos e coisas esquisitas de propósito, que ao ouvido comum pode parecer uma falha ou algo mal feito, mas a verdade é que tínhamos mais dificuldade em “estragar” as músicas que pareciam mais bonitinhas do que fazer o contrário. Aliás, todo o processo de gravação do disco foi fortemente influenciado pelo filme “I am trying to break your heart” do Wilco. A parte que mais marcou a gente foi quando o ex-guitarrista explicava o método de composição e gravação do disco Yankee Foxtrot Hotel. Depois compor as canções, eles se preocupavam em “estragar” as músicas, em desconstrui-las, de modo que elas não parecessem apenas mais uma canção pop de folk. Esse método não saiu da nossa cabeça durante toda a gravação desse nosso novo álbum.


. Vocês são uma banda de rock de São Paulo. Como vocês vêem o cenário paulista? Vocês acham que existem diferentes cenários musicais de cada cidade?
A cena independente de São Paulo aprendeu que sozinho ninguém faz nada, então cada vez mais vemos bandas se unindo pra fazer shows, selos se unindo pra fazer festivais, produtores se unindo pra fazer intercâmbios de artistas, e casas de shows se abrindo para experimentações independentes. Mesmo assim ainda o que tem é muito pouco. São Paulo é um estado muito grande, mas mesmo na capital ainda acontece pouca coisa, porto que do que poderia acontecer. No interior é ainda mais complicado, são raríssimos os lugares que abrigam bandas independentes. Os donos de casas de shows, as bandas de cover e os próprios fãs de música precisam saber que se a gente se a gente não abrir espaço pra que novos artistas brasileiros se apresentem corremos o risco de esgotar o repertório dos covers tocando sempre as mesmas músicas das mesmas bandas que fizeram sucesso não sei quantas décadas atrás.

. E aí, o rock and roll morreu ou não? O que vocês acham que falta no cenário independente?
O rock morreu pra quem desistiu de ouvir bandas novas, pra quem desistiu de experimentar. Nós estamos sempre pesquisando novas bandas, conhecendo gente nova, e é impressionante a quantidade de artistas excepcionais que estão surgindo no Brasil. A cada semana os principais blogs de música independente no país destacam o lançamento de uma banda nova melhor que a outra. O desafio é conseguir fazer com que essa pululação de bandas consiga extrapolar os limites da internet e também chegue ao público e forma de shows, apresentações e contato mais real com os fãs.


. No novo disco terá participação especial? O que vocês acham das parcerias de bandas com outras bandas?
O novo álbum tem participação direta do nosso amigo Du Ramos que já trabalhou com muitos artistas interessantes, e hoje comanda a equipe do Gop Tun, um selo de música eletrônica muito ativo em São Paulo. O Mark Howard é um gênio das produções e foi uma honra imensa ter trabalhado com ele, e saber que o cara que mixou discos do Neil Young também mixou um disco do Atalhos, e não só isso, mas saber que ele rasgou elogios pro álbum é uma sensação de satisfação muito grande. Outra participação direta foi do músico Lucky Paul, baterista da cantora canadense Feist. O Gabriel conheceu o Lucky Paul no ano passado quanto ele veio com a Feist fazer um show em São Paulo. Quando estávamos gravando o álbum ele mandou uma faixa pro Lucky Paul e perguntou se ele topava fazer uma participação gravando uma percussão. Ele respondeu dizendo que tinha adorado a música e que toparia gravar a participação. Depois de duas semanas ele mandou a gravação da percussão e de umas loucuras feitas no sintetizador. Quando escutamos a participação tivemos certeza que ele entendeu de cara a concepção do disco.

As participações estão cada vez mais presentes nos trabalhos das banda e refletem aquilo que comentamos sobre o cenário independente perceber que ninguém faz nada sozinho. Por isso é preciso cada vez mais se unir em parcerias pra conseguir realizar as coisas. No primeiro disco nós tivemos a participação do amigo Marcelo Bonfá, baterista da Legião Urbana. Na época ele desenhou a capa do nosso primeiro disco. Foi muito importante porque abriu várias portas pra gente, fizemos shows juntos e tudo mais. Mas aprendemos que também não adianta a gente só mostrar participações interessantes, nós temos que ter algo interessante pra mostrar, algo nosso, o foco tem que ser o nosso trabalho, senão vira só um jogo de marketing e que não ajuda nada no fundo.

. O novo álbum da banda será lançando em Vinil. Porque o Vinil? Vocês são amantes de vinil?
Lançar em vinil não é uma aposta somente nossa, a gente está vendo cada vez mais bandas lançando novos trabalhos em vinil. O Apanhador Só lançou o novo disco em vinil, o Terno a mesma coisa, enfim, é uma tendência atual das bandas independentes. No nosso caso, além desse fato ter contribuído pra nossa decisão, pensamos que a concepção do novo disco tem tudo a ver com o disco de vinil. No vinil você precisa ouvir as músicas do início ao fim, você tem a experiência de tirar segurar um disco que pesa 180 gramas (no nosso caso dois discos, já que o álbum é duplo), trocar de lado, botar na vitrola e ouvir na íntegra. É uma experiência completamente diferente da digital, de ouvir no celular ocupado com mil e outras coisas. O disco de vinil propicia uma experiência única entre o ouvinte e a banda, algo muito intimista e que nem o digital e nem o cd conseguem proporcionar.

. Queremos saber um pouco de cada integrante da banda. O que atualmente vocês têm escutando na playlist?
A gente escuta muita coisa, além das influencias de folk rock que pautaram todo o novo álbum, também escutamos música eletrônica, bastante jazz, e outras coisas malucas que ajudam na hora que precisamos “descontruir” nossas canções.

. Entrevista ta quase no final. Contem para a galera do Maah Music. Além do novo álbum, quais as próximas novidades da banda? Vocês pretendem tocar em outras cidades para divulgar o novo trabalho?
O novo álbum deve sair no começo de novembro em Vinil e também vamos liberar o download de graça na internet. Antes disso deve sair um vídeo teaser sobre o álbum com a gente falando um pouco sobre ele, e também vamos liberar o segundo single que vai virar videoclipe e vai contar com imagens de uma viagem feita esse ano a Patagônia argentina pelo Gabriel, além de imagens gravadas em São Paulo pelo diretor do nosso primeiro videoclipe José Menezes. Depois do lançamento do álbum a gente pretende fazer uma série de shows pra divulgar novo disco.

. Qual mensagem vocês deixam para os fãs e leitores do blog?
A mensagem é que tem muita música boa sendo feita no nosso país e que vale a pena experimentar mais, procurar novas bandas e, além disso, também vale a pena sair pra ver shows, embora os shows “grandes” estejam cada vez mais caros, mas por outro lado, os shows das bandas independentes tendem a ser bem mais baratos, quando não são de graça, e a experiência pode ser até melhor!

. Hoje vocês comandam o blog. Qual música vocês deixam para a galera?
Hum... Uma música de uma banda que a gente gosta demais e que também influenciou bastante o novo disco. “King Harvest” do The Band.

Dá o play!! 



Gostaram? O que vocês acharam da banda Atalhos? Deixe seus comentários!

Separei o videoclipe que eles lançaram á pouco tempo, “José, Fiquei Sem Saída”, que foi dirigido por José Menezes e André Dip. É uma das músicas que mais gosto também.   Adorei o estilo deles!

Dá o play!



Fiquem por dentro de todas as novidades da banda. Acessem:


Essa foi meu post especial de hoje e espero que gostem. Amanhã tem muito mais, então não perca!!

Beijo,

@maahmusic

Nenhum comentário:

Postar um comentário