Olá, queridos leitores do Blog Maah Music,
É com muita honra que hoje apresento para vocês uma
das entrevistas que mais gostei de fazer, com banda Fuligem.
Pouco menos de um ano, diversos projetos em
andamento, os paulistanos da banda Fuligem trazem em 2012 “Curvas de Rio” e
“Portas Janelas”, que estão disponíveis para download. E vamos parar de blá blá
blá e curtir a entrevista que fiz com a banda, pois tem muitas novidades pra
vocês.

. Banda Fuligem é uma honra
ter vocês aqui no blog maah music. Contem para nós como surgiu a banda.

Naturalmente. Depois de tantos convites pra formar bandas com tantos
desconhecidos, tantas sensações estranhas com novos parceiros, era evidente que
a intimidade da amizade poderia ser a resposta efetiva para dar certo. Acho que
todos na banda estavam assim também; bandas passadas paravam porque perdiam o
ritmo, pois, mesmo gostando de tocar, você tem que dividir um tempo com outras
companhias e é preciso gostar da companhia dos parceiros, senão a própria
vontade de tocar se perde.  Nos já éramos
amigos, então só precisou bater na cachola a ideia de fazermos um som juntos. A
banda se tornou uma extensão da amizade e isso de fato sustenta muitas coisas.
Tudo chegou no tempo certo, no amadurecimento individual certo, musical e
pessoal.
. O nome Fuligem é superdiferente.
Quem deu o nome para a banda e por que o nome?

Força, União, Linguagem, Inspiração, Garotos, Espertos, Mitológicos. Note a
inicial de cada palavra e forma FULIGEM, poderia ser essa a interpretação,
Fuligem é nome do Cabrito Cego também, ou se quiser Fuligem é a fórmula mais pura
do carvão, é tudo que já foi um dia e hoje é só essência, é qualquer coisa de
dentro pra fora na mais pura sinceridade. O porquê do nome de fato é o que
menos importa.
. Vocês vêm com ritmo
diferenciado do que estamos acostumados a ouvir por aí. Todo mundo às vezes
pensa muito no rock, talvez só no eletrônico, mas com o som de vocês é
diferente e vem conquistando muitas pessoas. Como é ver todo mundo falando bem?

A gente se realiza dobrado. Tudo é criado tão natural e despretensiosamente,
que, quando ouvimos as pessoas dizerem que gostaram, inclusive desse aspecto
diferenciado, achamos incrível. É um simples detalhe, mas para o artista que
pensa e formula esses detalhes, é realmente um prazer imenso quando notados e
apreciados; acredito que seja a tal ‘formula x’ que faz as bandas mesmo sem
colaboração nenhuma confiarem em alguma coisa que não as deixa desistir depois
de lutas, quando, já lá em cima, todos riem e dizem: ‘Poxa, nós quase
desistimos, mas alguma coisa dizia pra não pararmos.’ Essa carga de força é o
tanto de vezes que ouvintes despretensiosos falavam bem, o elogio quer dizer
‘Isso é bom e me faz bem’ e isso é demais, trabalhar com o bem estar das
pessoas. É preciso paciência, mas cada vez mais pessoas tem ouvido.
. No início da banda, qual
foi a maior dificuldade que vocês encontraram?

Além da amizade, como banda, o foco de nossa reunião é musical. A maior
dificuldade que encontramos foi criar esse ambiente musical harmônico, mas
harmônico no aspecto de que todos criassem exatamente o quisessem e todos
estivessem extremamente satisfeitos com tudo que todos executassem em todas as
músicas. Parece simples, mas muitas desavenças ocorrem por estas ‘engrenagens’
não funcionarem juntas corretamente ou harmoniosamente bem.
. Contem para nós: quais são
as influencias da banda atualmente?

Não vou citar diversas bandas que ouvimos porque realmente não sei o que os
caras estão ouvindo nesses últimos dias. Sei que o Pedro tem ouvido bastante
Samba e música brasileira, gosta bastante de Caetano e afluentes, e eu me vi
por aí também. É surpreendente o modo como você sempre acaba caindo na música
brasileira quando busca coisas novas: Edu lobo, Tom Jobim, o incrível mestre da
poesia e música brasileira Vinicius de Moraes e suas divinas parcerias,
dividindo esse mesmo posto com Cazuza. Ontem, depois do show enquanto
guardávamos nossos equipamentos, o Biel estava ouvindo Jazz no carro; não quero
nem ver as influências que ele trará nas reuniões de férias agora. Serginho
gosta bastante de Mutantes e lembro que foi a última coisa que o vi ouvindo
bastante.
.Vocês acham que no cenário
musical existe realmente espaço para todas as bandas e ritmos? Ou há um
preconceito por sons diferentes?
O preconceito é do ignorante. Não gostar é uma
coisa, preconceito é outra. Acho que esse espaço é devidamente um campo bom ou
ruim que a própria banda cria, que é o som em si, e sorrateiramente envolve
todas as pessoas que vem a se tornar os fãs. Não tem essa de espaço, as pessoas
buscam se sentir confortáveis ao ouvir música e fim. Se você cria esse ambiente,
você tem um ‘fã’ e eles se multiplicarão. Cada década que passou, no ‘início’
de cada uma delas, 60, 70, 80, 90, ergueu-se um novo estilo e suas ramificações,
Bossa, Rock, Reggae, Punk, Grunge… As pessoas anseiam sim por coisa nova e
diferente; é como o prazer de provar uma nova comida, um novo sabor, um novo
lugar pra visitar… Os grandes lobos da música, mesmo com tanto poder,
precisam ceder a essas tendências naturais que vem de tempos em tempos para
quebrar esse engaiolamento artístico e musical, esse ‘mais do mesmo’ que eles
mesmos financiam querendo deixar nosso ouvido sempre de muleta. Talvez não
haja espaço para todo mundo na mídia vendida que estabelece padrões, mas é só
buscar que você achará peças raras. Somos 7 bilhões completamente diferentes em
essência.




. Quem da banda compõe as
canções? Qual inspiração para fazer as letras das músicas?
Sobre as engrenagens que citei na segunda pergunta,
cada qual na banda exerce de forma funcional o processo de composição, cada
qual aplica uma cicatriz, uma cor, uma curva, um realce no formato todo que é
nossa música, todos compomos essa fórmula fuligem. Claro que alguém precisa
trazer a peça bruta pra lapidarmos, o Biel colabora muito com novos ritmos e
letras. Eu também trago letras ou melodias que se encaixam perfeitamente nessas
novas ideias em conjunto e já houve vezes em que o Pedro criou algo que
transformou a música inteira e deu outro direcionamento. ‘Fuligem’ e ‘Curva de
Rio’ são um exemplo, minha guitarra é toda em cima do baixo, inteirinha, assim
como a bateria, que realmente transforma a ideia inicial rítmica que tínhamos
praquele som; depende dele a batida que transfere muito da energia da música,
todos sabem como fazer o som da Fuligem.

E sobre inspiração, pra mim a melhor inspiração na hora de compor é não pensar
para escrever. No momento chamado de inspiração há uma efervescência, uma
inquietude que te faz escrever e não pensar, não precisa, há dentro de nós um
caldeirão cheio de ideias que você absorve no dia a dia, todas misturadas, na
hora do impulso ou inspiração, e esse conhecimento transborda no lápis. Tudo na
verdade depende então do tipo de ideia que você se abastece quando compõe a
letra; é de maneira magnífica que elas saem da cabeça e se agrupam em frases do
jeitinho que você compreende aquele raciocínio, e o melhor: as ideias saem do
teu modo de dizer. Claro que depois sempre há leves reparos de concordância,
por exemplo, mas a espinha por completo já foi desenhada.





. Qual o significado da música
para vocês?
Eu não sei definir muito bem ou ficar falando que é
tudo na minha vida, assim simplesmente. Realmente não capto dessa maneira, eu
sei que é mais que isso, coisas importantes você atribui na sua vida, mas a
música é parte componente da minha, é como um olho, um braço, você não diz amar
seu olho por te promover as melhores sensações visuais, ai de mim sem meu olho!
Não, você convive com a importância dele e os prazeres que te traz, isso te faz
feliz e você sabe que deve essa felicidade a ele e a música é assim, é
essencialmente ligada ao bem estar.




. Qual foi o momento mais
bacana para todos vocês da banda?
Acho que foi quando ganhamos nosso primeiro Grammy
Latino como artista revelação e melhor álbum! Falando sério agora, pra ser
sincero, estamos num período ainda tão pequeno como banda, que qualquer elogio
sorridente depois do show falando: “MANO, É DO CARAIO MEMU O SOM DE VOCES, QUE
PEGADA” satisfaz de um jeito magnífico, pois é a resposta de que muitos outros
poderão gostar também, devemos seguir adiante e tentar chegar ao maior número
de ouvidos e multiplicar esses ‘poucos’ que já gostam. É um simples elogio mas
a princípio tem nos feito bem; falo pros meninos e comentamos juntos sobre cada
um deles, eles contam de outras pessoas que falaram sobre a Fuligem para eles,
sempre ouvimos todas as histórias. É simples, mas faz muito bem; vemos um no
olho do outro que a essência que criamos brincando ta infiltrando na galera.
 



. Contem pra gente do blog
Maah Music: quais são as próximas novidades da banda?
Em janeiro, lançaremos um som, talvez dois, um
Clipe. Novidade concreta é apenas que Fuligem está calibrada, vai seguir viagem
e vai para longe.
. Qual é agenda do show de
vocês?
Não há mais shows até o fim de Dezembro, pois ontem
fizemos o último desse ano. Queremos nos comprometer com composições novas
daqui para frente; vamos usar os dias vagos que tivermos nas férias pra tratar
de criar novos sons juntos. Muito som já ta de cueca, outros de jaqueta, uns de
chapéu, temos que ir vestindo todos.




. Quando há show da banda,
você fazem covers? Quais covers vocês tem vontade de fazer? E quais vocês já
fizeram?
Nunca fizemos cover, nenhum mesmo, não sei ao certo
dizer por quê. Não temos nada contra, é que realmente ficamos sempre tão
vidrados criando coisas novas e nossas que quando olhamos no relógio já foi e
nem pensamos em tocar música de alguém. Mas já pensamos em tocar Bete Balanço
do Barão, eu tocaria umas três do Titãs, Bichos Escrotos, Comida, Estado
Violência. 




. Como vocês veem o carinho
dos fãs e o amor deles por vocês?
Olha, esse amor e carinho são muito relativos. Ninguém
berra e chora por nossa causa e nem escreve FULIGEM, CASA COMIGO na camiseta,
mas falam coisas lindas de nossas músicas e, para uma banda nova que está
alçando voo, às vezes se torna mais bonito ouvir essas análises detalhadas e elogios
sobre o que fazemos do que ver alguém berrando só porque te viu na TV, mas
talvez não saiba o que de fato você faz ou o que pensa. Materialmente falando,
a histeria é por sua imagem e só.




. Entrevista chegando ao
fim, foi muito bacana ter vocês aqui no blog e espero que voltem mais vezes,
então digam para a gente a mensagem que vocês deixam para os fãs e qual música
vocês dedicam pra eles.

Gostaríamos de dedicar uma participação ao vivo que fizemos em um programa
chamado Sons da Gente. Muita gente não viu e é nosso primeiro registro gravado
e filmado ao vivo. Composto por entrevista e três músicas ao vivo, Pecado
Assumido, Curva de Rio e Fuligem.




  

Gostaram?
Espero que sim e que no ano de
2013 eles estejam mais vezes aqui no Blog Maah Music. 
Obrigada à banda Fuligem pela
participação e a oportunidade.

 



Conheçam
o som dos meninos acessando:

Por hoje é só, o blog Maah Music
fica por aqui. Curtam muito a banda Fuligem.

Beijo,

@maahmusic

 


10 Comments

  1. Bem legal a entrevista, gostei do estilo deles, não conhecia =]

    help-adolecentro.blogspot.com.br/

  2. Ainda não conhecia eles 😮 mas que legal e o melhor de tudo é que são brasileiros o/ graças a Deus, é horrível gostar de cantores de fora do Brasil, eles demoram a vir pra cá e quando vêm o preço é o olho da cara.

    Beijos!
    http://www.likeparadise.com.br

  3. Maah, adorei essa entrevista, ficou show mesmo 😀
    Beijos,

    lolaporlola.blogspot.com

    Instagram: stephanieparizi

  4. Banda bastante interessante.
    Gostei da sua entrevista. Quer ser jornalista??
    Beijos <3

Reply To ana jacobs Cancel Reply